
A Caverna
Há eras atrás, quando o mundo era virgem, seres únicos habitavam nosso planeta. Está é a estória de um deles. É necessário entender que Tremuria, embora possuísse uma beleza incrível, força de um exército e sabedoria de um monge, não estava pronto para a existência material a qual tinha sido confinado. Grandes espíritos lançados sobre pobres corpos frustram-se. Mas adianto-me; Tremuria ainda não faz parte de nossa estória. Antes, preciso contar-lhes sobre a Caverna.Em Aidan, um planalto montanhoso que ficava ao norte de nosso planeta, perto do gelo eterno da Sibéria, existia uma montanha inexplorada. A montanha, em discórdia com o frio que reinava na região, possuía uma mata densa, verde, imponente. Pedras preciosas de todos os tipos eram encontradas no solo fértil da região, e árvores altas e volumosas davam um brilho único àquele local. A fauna também impressionaria um viajante mais atencioso: pequenos animais, extintos em todos outros lugares do mundo, sobreviviam ali, em harmonia com a natureza. Pequenos parentes de coelhos, animais pequenos e velozes, insetos dignos das mais belas coleções, de armaduras verde-brilhante, chifres pontiagudos e sons estonteantes, e pássaros alienígenas, com cores que desafiavam uma aurora boreal e cantos que se transformavam em música no agradável silêncio da floresta. É neste local que a caverna, objeto de nossa narrativa, se encontra. No pico mais alto, após o primeiro circulo de neve, está uma pequena nascente que corre montanha abaixo, escondendo-se em galerias e emergindo várias vezes até a base da montanha. Aidan deve seu sustendo a este rio de águas cristalinas; sua força e beleza são deturpadas com moinhos e pescadores. E foi este rio que nos trouxe a caverna, pois Tremuria, em uma de suas longas viagens cruzou Aidan e, ao atravessar o rio, decidiu segui-lo. Obra do acaso? Eu diria que Tremuria tinha certeza que tal beleza provinha de local ainda mais belo. E Tremuria foi o primeiro a subir a montanha, a desbravar aquela mata virgem. Ele não temia nada. Não efeito de coragem extrema, veja. A verdade é que Tremuria não se importava em morrer na tentativa de atingir a nascente daquele rio. Mais ainda, não se importava em morrer por nada.
Mas novamente apresso-me. A caverna é nosso objeto de estudo. Antes de Tremuria chegar à nascente do rio Verion (nome dado pelo primeiro habitante de Aidan, um jovem de nome Johanat que tinha abandonado as terras desérticas do Sul e vindo procurar refúgio no frio do Norte) e encontrar a caverna, o local era moradia de muitas árvores. A entrada da caverna ficava em uma clareira, próxima a uma barreira densa de árvores. Para exploradores mais inexperientes, este local estaria acessível apenas através de Verion, subindo contra a correnteza, que era fraca nesta proximidade com seu berço. Entretanto, Tremuria conhecia mais florestas que todos os mortais, e as árvores eram suas amigas. Foi assim que ele subiu aquele pico imortal: conquistando a bondade e simpatia das árvores, e das plantas que lhe alimentavam. A caverna era larga e alta. Seu corredor inicial era curto, baixo para alguém da estatura de Tremuria, mas alto para uma pessoa comum. Após uns dez ou quinze metros, o corredor dava espaço para uma enorme galeria, de dezenas de metros de altura, mais larga que alas de palácios. Embelezada por pedras preciosas incrustadas em sua parede e pelos raios solares que atravessavam seu teto, quem entrasse naquele local sentiria-se no salão do palácio do rei da Terra. O rio Verion corria de uma pequena abertura na parede, que parecia vir do mais alto ponto na montanha. Dentro deste salão, o rio formava uma piscina, habitada por peixes de todas as sortes, de tons de vermelhos e amarelos e todos simpáticos a quem quer que entre em seus domínios.
Tremuria, mesmo não mais dando importância à matéria e as belezas terrenas, não pôde deixar de se impressionar com aquele local. Conforme ele subia a montanha, parecia que as árvores, mais antigas e sábias, tornavam-se também mais bonitas. E Destino trabalha de forma curiosa, pois quando finalmente Tremuria atingia o topo e ultrapassava a barreira de árvores que protegiam a entrada do que viria a ser seu palácio, uma chuva branda começou a acariciar a floresta. E como que a presença de Tremuria tivesse despertado a ira de algum deus, a chuva tornou-se progressivamente mais pesada, castigando o solo na fronte da caverna e acuando até mesmo Tremuria que, como já disse, não sentia medo de nada. Sua reação foi procurar refúgio na caverna, que hesitava em adentrar, pois não queria acordar qualquer besta que lá se habita. Tremuria acreditava que aquele era provavelmente o lar do protetor da montanha, e como nenhum mortal jamais reportara subir a montanha, qualquer fera que protegesse este pico deveria ser de fúria inimaginável. E quando entrou, achando que ia de encontro com sua morte, ficou ainda mais impressionado com a beleza do local. E nesta noite Tremuria decidiu que aquele então seria seu lar, protegido pela floresta e pela escuridão brilhante da caverna, pela altura do pico e seu círculo de neve.
Notas do Autor:
Olá pessoal. Putz, acredito que já se completam doze meses que eu não postava alguma coisa útil no meu blog. Bem, finalmente tomei coragem. Esta é a lenda de Tremuria, personagem que eu criei há alguns mêses. Por favor, não desanimem. Os primeiros capítulos são introdutórios. Logo logo teremos pouco mais de ação (embora, como é obvio, a ação à qual me refiro seja de cunho psicológico).
Meu objetivo com esta saga é, como devem esperar, falar mais de mim mesmo. Como não consigo (por medo, vergonha ou seja o que for) ser sincero sobre nosso mundo e mais ainda, meu mundo, espero que Tremuria seja meu porta-voz. Postar esta confissão já é assustador.
Há, quanto aos comentários. Inegável que só me dou o trabalho de digitar todas estas idéias porque espero o feedback alheio. Alias, este pode mesmo ajudar-me a esculpir a estória, por isso, postem! O sistema de comentário do Blogger é levemente ruim, eu sei. Eu preferiria algo no estilo Fotolog.net, mas além de ser complicado criar uma conta no site (desculpa boba - eu consigo criar rápidamente se decidir mover-me para lá), existe um triste limite de comentários por post. Além disso, creio que seria obrigado postar uma nova imagem a cada capítulo, e não tenho esta pretensão.
Bem, por favor, comentem! Sugestões, dúvidas, hatemail, lovemail, qualquer coisa vale.
Estarei comentando sobre o próprio conto nos próximos posts, e espero colocar dois capítulos novos por semana. Nesta fase inicial, entretanto, posso escrever pouco mais rápido.
Finalmente, sempre anotarei qual música eu estava ouvindo durante a produção do texto. Hoje, fui acompanhado por Tristania, com seu album World Of Glass; Abraços.
