Tremuria's Quest || Storm's Blog

Monday, August 22, 2005

Pássaros II

Tremuria ajustou seu ouvido. Não estava acostumado com aquele tipo de dialeto, mas arriscou: "Estranho, eu? E o que faz um pássaro a esta altura, depois dos círculos de neve? Achei que toda a fauna aqui estivesse limitada aos pequenos insetos e aos peixes."
O pássaro se atirou no ar, flutuou sobre suas belas penas - azuis e amarelas, percebeu Tremuria agora que ele estava mais próximo - e pousou sobre um galho logo acima da cabeça do lenhador-artesão. Moveu seu bico, mas agora Tremuria podia entendê-lo. "Se não houvesse pássaros e outros animais nesta região, quem impediria os insetos de dominarem toda a montanha? Agora, Homem, aqui, é novidade. Por isso diga-me, qual seu nome, você que invade minha morada e desafia minha casa e minha floresta?"
Tremuria abaixa o machado em sinal de respeito. "Sou Tremuria. Apenas Tremuria. Venho aqui porque estou cansado das vilas e cidades do mundo. Desculpe invadir sua casa; não sabia que alguém mais habitava floresta tão inóspita. Qual o seu nome, pássaro?" Tremuria estava com sua pálida face rebaixada, mas fitava o pássaro. Os pássaros costumavam respeitá-lo em seu reino, e era a primeira vez que era questionado por um deles.
"Tremuria? E eu devia conhecê-lo? Que bobagem”. O pássaro se moveu no galho, desceu rapidamente o bico até a base de onde estava e voltou com um pequeno grilo preso no seu bico. Tremuria agora percebia que era pequeno, menor que seu antebraço, e que poderia facilmente matá-lo. Mas havia jurado não cometer estes crimes. "E o que faz destruindo estas árvores, justas, que nunca ofereceram ao mundo nada além de sombra?”. Tremuria estava impressionado. Nunca havia conversado com um pássaro tão irreverente, insistente em lhe perturbar. Estava cansado da conversa, e resolveu que voltaria a sua caverna. "Vim buscar lenha. Preciso manter minha casa aquecida. Se derrubei alguma de suas amigas, desculpe-me. Mas era necessário." E com isto voltou-se para a entrada de seu palacete, mas antes que desse mais que dois passos, o pássaro interveio.
"Rilo." Tremuria parou ao ouvir aquela palavra estranha. "Rilo é meu nome, Tremuria. Se você não deseja mal a essa floresta, então seremos amigos. Existem poucos outros animais por aqui, alados ou não. Será bom ter com quem conversar”.remuria continuou a andar e sumiu dentro da escuridão de sua caverna.

Enquanto isso volto minha atenção para uma casa num local não muito distante dali. Cinco mulheres, todas loiras, estão reunidas na sala. Berros são ouvidos ao longe, mas isso não parece incomodá-las. Elas conversam sem palavras, enquanto a mais velha prepara um chá, fazendo um pequeno ritual que consiste em elevar o chá acima de sua cabeça, enquanto se dirige para os quatro pontos cardeais. Ela volta-se ao Norte, e um brilho da vela ilumina sua face. "Com este, ofereço nossa pureza a Naygan, príncipe eterno da bondade, mestre do fogo. Com este, ofereço nossa beleza a Ogória, deusa eterna do Ar e da Luz, eterna vaidade”.Estas últimas palavras são ecoadas a Oeste, e então a mulher coloca a pequena jarra sobre a mesa. “Leve minha essência” ela suplica, e talha seu braço com uma pequena adaga. O sangue escorre pela lâmina e pinga sobre o chá, e a mulher volta-se para Sul. "Sandina, habitante dos mares, mestre da escuridão e do medo, devoto este à você, para que sua raiva nunca recaia sobre nós." Mais uma reverência, e a mulher se vira para Leste. As faces das outras quatro, que estão nuas, cada uma em pé frente a uma cadeira, estão pálidas, brancas como a neve. A garota a leste, entretanto, treme. Um outro grito de dor irrompe o silêncio do ritual, e a garota engasga, olhando para baixo e deixando lágrimas de medo molharem seu rosto. A madre superiora ergue a jarra de chá e fita a noviça. Uma falha num ritual desses pode complicar para sempre sua ordem, ela sabe. Seu olhar é cruel, obrigando a moça a recolher seu rosto para a escuridão. Ela sabe que não pode falhar, e retira forças de seu medo. "Ofereço este a você, Lamúria, senhor negro do oriente, comandante supremo da Terra, que esta oferta apazigúe a dor de seu coração e nos permita a paz”. A madre toma um gole do chá. "Com este, somos um e somos todas. Que os elementais nos protejam”.As outras mulheres procedem a tomar cada uma um gole do chá. Elas estão purificadas. Os berros, entretanto, aumentam quando a última toma sua porção e a cerimônia acaba. A garota do Leste, perceptivelmente mais jovem que as outras do círculo, balbucia a madre, e quanto a garota lá em cima? O que elas irão fazer agora? A madre novamente olha para a garota com uma chama ardendo em seus olhos.
"Leste, você é jovem e imprudente. Nós iremos lidar com Helena quando for devido. Mas precisamos nos preparar para a empreitada que nos aguarda”. Com isso ela se torna, e pede para as outras noviças que se vistam.

Notas do Autor:


E aqui estou eu novamente, com mais um capítulo da Saga de Tremuria. A demora desta vez é justificada por uma semana de isolamento em casa seguida por inúmeras entrevistas. Formar é mais complicado do que pensei. Mas vamos ao que interessa.

Neste capítulo, não revelei mais nada sobre Tremuria. Que ele conversa com pássaros já sabemos desde o último episódio. Mas agora inseria um novo elemento. Devo confessar que a estória ainda está confusa em minha mente. Não cheguei a decidir como certos fatos irão desenrolar, e nem mesmo sei de onde surgiu os pedaços que escrevi hoje. Mas acreditem, surpresas e novos personagens aguardam.

Diminuí o tamanho dos capítulos para encorajar os preguiçosos a lerem. Alguns de vocês podem não entender por que faço tanta questão que alguém leia. Na verdade, é uma questão complicada, mas entendam que eu não estaria escrevendo se ninguém estivesse lendo. Eu já me divirto bastante imaginando a estória, escrever tem o único propósito de passar minhas idéias adiante.

Por enquando, ainda não pude mostrar aquilo que mais interessa-me: a personalidade de Tremuria. É estranho como não temos poder sobre a caneta quando nos colocamos a escrever. Parece que a estória toma vida, e passa a nos controlar. Eu não esperava ter escrito metade do que escrevi, e entretanto está tudo aí. Bom, espero que estejam gostando. Quando a qualidade do texto em si, este capítulo deixa a desejar, mas foi feito na pressa. Queria colocar um texto novo ainda hoje.

Como sempre, as músicas. Fui acompanhado por Opeth, com seu álbum Ghost Reveries. Os últimos trechos foram acompanhados por Pain Of Salvation, em One Hour By The Concrete Lake. Até a próxima, e por favor, deixe opiniões ou apenas assinem o guest book, para eu saber que existem leitores. Abraço.

3 Comments:

Anonymous Anonymous said...

"You and me will always be more human than we wish to be..." - PoS (sexta q vem woohoo!)

-> the Doc next door! hauhauhauahuahua

10:53 AM  
Anonymous Anonymous said...

Nossa brantão quem diria hein!...
Tah mtoo boa sua estória, juro que to adorando e to super curiosa pra saber o que vai acontecer.. ptz adoro estorias assim!;..
vc faz com que a gnt imagine o cenario e td mais...
Pra mim tremuria eh um moreno,naum mto alto, forte, com maos brutas e calejadas de seu machado, braços rebeldes de quem sempre lutou contra bixos enormes e dragões violentos, pernas rapidas como as de um tigre, e ideias rapidas de personalidade forte, mas acho que alguma coisa o pertuba mtooo! soh naum consegui descobrir o que eh ainda!!...
hehehe... viajei um poco neh!.. mas tah ai!!..
boa sorte e me avise qndo escrever o proximo! e naum demore to super curiosa!!.hehe
bjusss adoro mtooo vc!!
TATY

11:49 AM  
Anonymous Anonymous said...

Pra variar mais uma vez muito boa Brant!!!! Vc acabou o capitulo na hora certa!!!! Deixou o leitor com gostinho de quero mais!!!!Tô super curiosa quanto a Helena!!! Quem será????Me avisa do proximo capítulo1!!!
Bjão

8:17 PM  

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